Apendicite: o que é, sintomas e tratamentos

Tratamento por remedio-caseiro
Doença: Apendicite
Ingredientes: Milho

Introdução

Apendicite: o que é, sintomas e tratamentos

A apendicite é considerada a causa mais comum de cirurgias onde o sintoma mais expressivo seja dores abdominais fortes, em países do ocidente. Estima-se que o problema afete cerca de 10% da população mundial, sendo mais frequente em jovens adultos na faixa dos 20 até os 30 anos.(1)

Esse problema geralmente é desencadeado por uma obstrução no órgão chamado de apêndice vermiforme, causando sua inflamação. A maioria dos casos da doença causa dores abdominais, náuseas e falta de apetite. Logo depois, caso não haja tratamento, o problema pode evoluir para diarreia, febre baixa e intensa rigidez muscular.

Com o avanço da inflamação, as paredes do órgão podem gangrenar e se romper, é quando acontece o risco de morte. Por isso a importância do diagnóstico precoce.(2)

Por conta disso o Remédio Caseiro preparou um artigo completo sobre a apendicite. Sendo assim, você vai descobrir quais são os sintomas, as principais causas e o tratamento para o problema.

O que é apendicite?

Apendicite é uma doença inflamatória que atinge o apêndice vermiforme, também chamado de apêndice cecal ou vermicular.(3) O processo inflamatório pode ocorrer por conta de diversos fatores, como a presença de parasitas, tumores ou corpos estranhos no interior do órgão.

A inflamação geralmente é iniciada após a obstrução da cavidade do apêndice, que faz com que ele aumente de tamanho devido ao acúmulo de secreções no seu interior. Sendo assim, ocorre o aumento da pressão e um comprometimento no fluxo sanguíneo do local.

Dessa maneira começa a aumentar a proliferação de bactérias nocivas, que causam o quadro inflamatório na parede do órgão. Essa inflamação também causa úlceras que podem evoluir para trombose e necrose da mucosa.

Quando não tratado corretamente, pode levar ao rompimento do órgão e a liberação do líquido infectado no organismo. Em alguns casos a inflamação migra para outras regiões que ficam próximas ao apêndice, causando até mesmo bolhas de pus.(2)

A maior parte dos casos de apendicite são considerados agudos, já que ocorre a obstrução total do órgão. No entanto, em outros pode ocorrer o que é chamado de apendicite crônica, que ocorre quando as dores abdominais se estendem por mais de um mês.(4)

Nos casos agudos da doença o período entre o início do processo de gangrena e rompimento do apêndice pode ocorrer em um prazo de 36 horas. Mostrando ainda mais a importância do diagnóstico e tratamento com o aparecimento dos primeiros sintomas.(1)

Apêndice: O que é e para que serve

O apêndice é um pequeno órgão que faz parte do intestino grosso. Ele é um tubo estreito, que pode medir entre dois e 20 centímetros de comprimento e fica geralmente dois centímetros após o final do intestino delgado. O órgão, na maioria das vezes, costuma ser maior em crianças, já que ele atrofia ao longo da vida.(5)

O apêndice é composto por um tecido semelhante ao intestino delgado e é repleto de nódulos linfáticos, que são responsáveis pela produção das células de defesa do organismo. Além disso, eles também possuem diversos vasos sanguíneos receptores nervosos.(6)

Até pouco tempo se acreditava que o apêndice não tinha nenhuma função, sendo apenas um vestígio dos milhares de anos de evolução humana. No entanto, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, revelou que o pequeno órgão tem uma função importante para o organismo.

A função dele seria então a de ser um local seguro para armazenar bactérias boas para o organismo. Ou seja, o apêndice é uma espécie de bolsa onde micro-organismos que ajudam no sistema imune e digestório ficam até serem necessários.

Por isso que a posição em que ele está localizado permite apenas que o conteúdo saia, mas que seja difícil que corpos estranhos consigam entrar. Quando isso acontece há uma proliferação dessas bactérias, que podem fazer com que ela acabe se rompendo.

No mesmo estudo os pesquisadores descobriram que as comunidades com acesso à higiene não precisam dessas bactérias. Isso pode ser um fator aos casos de apendicite e também faz com que a retirada do órgão não traga consequências negativas para o corpo.(7)

Veja também: Hérnia de disco: sintomas e tratamento

Principais sintomas

Os casos de inflamação do apêndice apresentam diversos sintomas que levam ao diagnóstico precoce.

O primeiro costuma ser dor abdominal súbita, ou seja que aparece de repente e continua por várias horas. Além disso, na maioria dos casos, as pessoas sofrem com vômitos e a dor costuma se espalhar para o resto do abdômen.(4)

As dores costumam piorar ao caminhar, tossir ou apalpar o local onde se localiza o apêndice. Em alguns indivíduos a inflamação pode acarretar em diarreia ou constipação e até mesmo falta de apetite.(6)

Durante os primeiros sintomas é comum o aparecimento de febre baixa, com a temperatura um pouco maior que 38º C. No entanto, é preciso atenção, pois quando a febre é alta, especialistas informam que isso pode ser um indicador para o rompimento do apêndice, podendo levar a inflamação para os outros órgãos.

Uma curiosidade é que os sintomas podem mudar de acordo com a localização do apêndice no corpo. Sendo assim, algumas pessoas podem apresentar sintomas mais fortes, enquanto em outras eles são mais suaves.

A gravidez também costuma alterar os sinais da doença. Isso acontece porque o órgão se desloca por causa do crescimento do feto, assim como outros órgãos da região.(1)

Como é feito o diagnóstico?

Na maioria das vezes o diagnóstico da apendicite é feito através da observação dos sintomas clínicos. Ou seja, através da sintomatologia que é característica da doença.

Contudo, ainda são feitos alguns exames que ajudam a descartar diagnósticos errados. Um dos mais realizados é um hemograma, já que em 25% dos casos de apendicite se costuma observar uma alteração na quantidade de glóbulos brancos no sangue.

Isso acontece porque o corpo aumenta a produção deles em uma tentativa de conter a inflamação. Exames de imagem como a ultrassonografia também são bastante utilizados.

Sendo que o mais preciso é a tomografia computadorizada, que tem uma taxa de acerto de até 95% dos diagnósticos. Esse exame ajuda a ver o avanço da doença e a evitar a confusão com outras que possam ter os mesmos sintomas, evitando complicações e cirurgias desnecessárias.(1)

O que é apendicite aguda?

Como já foi dito, a apendicite aguda é a causa mais frequente de cirurgias abdominais no ocidente. Sendo que essa também é o tipo mais comum e frequente da doença. Esse tipo de inflamação é diagnosticada com frequência desde 1886 e é mais frequente em jovens adultos.

As principais características desse tipo de inflamação no apêndice são a obstrução total da cavidade do órgão e sintomas fortes e súbitos. Com o avanço da doença isso pode evoluir para o rompimento do apêndice e a liberação das bactérias locais na corrente sanguínea.

E a crônica?

Há também casos em que a doença se torna crônica, já que os sintomas costumam se estender por mais de um mês. Ao contrário da fase aguda, onde o período entre o aparecimento da sintomatologia e do rompimento do órgão costuma se dar em cerca de 36 horas.(1)

Na apendicite crônica costuma ocorrer uma obstrução parcial ou intermitente, quando ela acontece em intervalos de tempo, do interior do apêndice. Isso causa os sintomas como dores e febre.

No entanto, como o órgão incha por conta do aumento das bactérias no seu interior costuma forçar a saída dessas substâncias. Sendo assim, os sintomas melhoram. Por isso esse tipo de apendicite costuma ter o diagnóstico errado em muitos casos.

Uma curiosidade é que, ao contrário da apendicite aguda, a crônica costuma ser mais vista em pessoas acima dos 40 anos. Os exames de imagem como a ultrassonografia e a tomografia computadorizada também são os principais meios de identificar essa doença.(8)

Principais tratamentos

Um estudo publicado em 2007 na revista Emergência Clínica indicou que a apendicectomia, retirada cirúrgica do apêndice, é o tratamento mais eficaz para o problema.(9)

Isso acontece até mesmo em casos da doença crônica, já que o uso de antibióticos costuma ser temporário. Sendo assim, é necessário remover o órgão para evitar novas inflamações e complicações.

Um outro estudo realizado em 2003 indicou que também deve ser usado o tratamento conservador, que serve para diminuir os riscos de espalhar a infecção para outros órgãos e de complicações após a cirurgia.

Esse tratamento é composto de antibióticos, que ajudam a conter a proliferação das bactérias e de drenagem do líquido que se formou dentro do apêndice.(3)

Existem dois tipos de cirurgias para a retirada do apêndice. A primeira é chamada de laparotomia, que é a abertura da região para analisar o local e retirar o órgão inflamado. No entanto, esse tipo é mais invasivo. O outro tipo é a laparoscopia, que é menos invasiva e possui um tempo de recuperação menor.

Contudo, esses tratamentos são usados nos casos em que o apêndice não se rompeu. Quando isso acontece é necessário fazer um tratamento para conter a infecção e só depois realizar a cirurgia, o que pode demorar até seis semanas.(1)

Quais os riscos da apendicite em crianças?

A apendicite é mais comum de ser vista em crianças mais velhas e adolescentes. Sendo assim, os casos em que ocorre em recém nascidos e crianças menores de dez anos são raros e também com maiores riscos de complicação.

As crianças mais velhas conseguem se expressar melhor durante os exames. Dessa maneira, é possível identificar mais fácil e evitar as complicações causadas pelo diagnóstico tardio.

Além disso, os sintomas mudam com a idade. Ou seja, recém-nascidos costumam apresentar irritação e inchaço no abdômen, o que pode fazer com que o problema não seja descoberto logo no início. A maioria dos diagnósticos nessa idade é feita através dos exames de sangue ou de imagem e boa parte deles ocorre quando já existe algum tipo de complicação.(10)

Um estudo realizado nos anos 2000 indicou que a apendicite em recém-nascidos é rara e tem uma taxa bastante alta de mortalidade, chegando a 61% dos casos.

Os principais motivos para essa alta taxa de morte é a dificuldade de diagnóstico aliada ao avanço rápido da inflamação, que pode levar a criança à morte em menos de 24 horas caso não haja o tratamento adequado.

Contudo, isso não é motivo para pânico. Já que esses casos são extremamente raros e os tratamentos vêm se modernizando e se tornando mais precisos.(11)

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Complicações mais comuns da inflamação

As complicações mais comuns da apendicite estão relacionadas com o diagnóstico tardio, que muitas vezes termina com a perfuração do pequeno órgão. Sendo assim, as bactérias que estavam no local podem atingir outros locais.

Uma das principais e mais vista nos exames é a formação de um abscesso. Isso é, uma bolha de pus que se forma próximo ao local da inflamação. Outra complicação bastante vista é a trombose venosa, que é mais grave já que causa inflamação das veias, bloqueando o fluxo de sangue.

Em alguns casos podem ocorrer complicações bem graves, que podem até levar a morte. Como é o caso da sepse, chamada popularmente de infecção generalizada.

É quando o apêndice se rompe e a inflamação se espalha para todos os órgãos do corpo. Como também a obstrução ureteral, que impede a passagem da urina e pode trazer danos permanentes.(12)

Uma outra complicação é a obstrução do intestino. Isso pode causar  o acúmulo de fezes no organismo e fortes dores abdominais.(13)

A inflamação pode ser fatal?

Você viu neste artigo o que é, quais os sintomas e como a apendicite é tratada, mas você sabe qual é a taxa de mortalidade da doença. Atualmente a taxa de mortalidade em adultos é bastante baixa, sendo de 0,2%.

No entanto, esse número aumenta entre os idosos, 15% dos casos, e em recém-nascidos, onde os casos de morte pela inflamação no apêndice podem ultrapassar os 60%. Por isso é importante o diagnóstico e tratamento precoce, já que essa é a única forma de evitar complicações relacionadas a isso.(1)

Referências

(1) MACPHEE, Stephen J; PAPADAKIS, Maxine A.; RABOW, Michael W. Current Medicina: Diagnóstico e tratamento. Editora Mc Graw Hill, 2015, 53º ed.
(2) MATOS, B et al. Apendicite aguda. Revista Médica de Minas Gerais, v. 21, p. 29-21, [2011]. Disponível em: http://rmmg.org/artigo/detalhes/889. Acesso em: 21 de dezembro de 2018.
(3) VIANNA, André Luiz et al . Tratamento conservador do platrão apendicular. Rev. Col. Bras. Cir., Rio de Janeiro, v. 30, n. 6, p. 442-446, dezembro de 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-69912003000600007. Acesso em: 21 de dezembro de 2018.
(4) LOPES, Antônio Carlos et al. Diagnóstico e Tratamento – Volume 3. Barueri, Sâo Paulo. Editora Manole, 2007.
(5) STANDRING, Susan. Gray’s Anatomia: A Base Anatômica da Prática Clínica. Rio de Janeiro, editora Elsevier, 2010.
(6) HANKIN, Mark H; MORSE, Denis E.; BENNET-CLARKE, Carol A. Anatomia clínica. Porto Alegre – RS, editora AMGH, 2015.
(7) Duke University Medical Center. “Appendix Isn’t Useless At All: It’s A Safe House For Good Bacteria.” ScienceDaily. ScienceDaily, Outubro de 2007. Disponível em: https://www.sciencedaily.com/releases/2007/10/071008102334.htm. Acesso em: 21 de dezembro de 2018.
(8) ROCHA, J. J. R. da et al . APENDICITE CRÔNICA E APENDICITE RECORRENTE: ARTIGO DE REVISÃO E APRESENTAÇÃO DE CASUÍSTICA. Acta Cir. Bras., São Paulo, v. 16, supl. 1, p. 78-81, 2001 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-86502001000500022&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 21 de dezembro de 2018.
(9) EDELMUTH, Rodrigo Camargo Leão; JUNIOR, Marcelo Augusto Fontenelle Ribeiro. Afecções abdominais inflamatórias. Emergencias Clínicas. Junho de 2011. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/236169773_Afeccoes_abdominais_inflamatorias. Acesso em: 21 de dezembro de 2018.
(10) BORGES, Paulo Sérgio Gomes Nogueira. Avaliação do escore de Alvarado no diagnóstico de apendicite aguda com crianças e adolescentes no Institutdo Materno Infantil de Penambuco (IMIP). [2003]. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/9693. Acesso em: 21 de dezembro de 2018.
(11) BARBOSA, Adauto D.M. et al. Apendicite em recém-nascido prematuro. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 76, n. 6, p. 466-468. Disponível em: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=4&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiwup3P17jfAhWMf5AKHdzjDvoQFjADegQIBxAC&url=http%3A%2F%2Fwww.jped.com.br%2Fconteudo%2F00-76-06-466%2Fport.pdf&usg=AOvVaw1xzyIBrcKM0-XGVGlxPmny. Acesso em: 21 de dezembro de 2018.
(12) MONTANDON JUNIOR, Marcelo Eustáquio et al . Apendicite aguda: achados na tomografia computadorizada – ensaio iconográfico. Radiol Bras, São Paulo, v. 40, n. 3, p. 193-199, Junho de 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-39842007000300012&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 21 de dezembro de 2018.
(13) IAMARINO, ANA PAULA MARCONI et al . Risk factors associated with complications of acute appendicitis. Rev. Col. Bras. Cir., Rio de Janeiro, v. 44, n. 6, p. 560-566, Dezembro de 2017 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-69912017000600560&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 21 de dezembro de 2018.


Referências

Conteúdo encontrado em:

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Apendicite

Doença

Apendicite é uma inflamação do apêndice intestinal, uma bolsa em forma de verme do intestino grosso. A apendicite mais comum é a apendicite aguda, que, apesar de poder ocorrer em qualquer idade, é muito mais comum na adolescência. É extremamente comum e afeta mais de 7% da população em qualquer altura das suas vidas.A apendicite crônica é, na verdade, composta por apendicites subagudas...Mais