A importância do Iodo

Tratamento por saudealternativaa
Doença: Bócio

Introdução

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A importância do Iodo

O Iodo é um mineralessencial para o homem e outros animais. Ele é imprescindível para ocorreto funcionamento da glândula tiróide, que por sua vez sintetiza ashormonas tiroideias tiroxina (T3) e triiodotironina (T4).
Estas hormonas têm diversas funções nonosso organismo e determinam variados mecanismos metabólicos. Elas atuamno crescimento físico e neurológico, no metabolismo basal e assim namanutenção da temperatura corporal, controlam todos os passosmetabólicos da oxidação celular, interferindo no metabolismo doslípidos, dos hidratos de carbono, das proteínas, da água e de algunsminerais, com reflexos na reprodutividade. São em suma muito importantespara o funcionamento de diversos órgãos como o coração, o fígado, rins,ovários.
Embora seja a sua única função conhecida, a sua importância é enorme.
O organismo contémcerca de 20 a 30 mg de iodo, dos quais 75% se encontram na tiróide e orestante distribuído pelo organismo, particularmente na glândula mamáriaem lactação, mucosa gástrica e sangue.
 

Ingestão deficiente

A deficiente ingestãode iodo, manifesta-se através de uma alteração da hormona tiroideia,muito conhecida, o bócio. O bócio é o aumento visível do tamanho daglândula, que é o reflexo da sua tentativa de captar uma maiorquantidade de iodo para a produção de T3 e T4. Mas não é esta a únicamanifestação clínica da deficiência. A carência pode tornar-se muitograve. O hipotiroidismo, deficiente funcionamento da glândula tiróide,pode também manifestar-se por falta de energia, pele seca, descamativa,ou amarelada, queda de cabelo, dormência e formigueiro nas extremidades,aumento de peso, perda de memória, depressão, anemia, alterações dapersonalidade, aumento dos níveis de colesterol e de homocisteína,também pode causar o síndrome do túnel cárpico.
Durante a gravidez einfância pode resultar nas crianças em cretinismo ou atraso mental graveirreversível e limitações motoras graves, surdo-mudez, anomaliascongénitas, também aumenta o risco de nados-mortos, abortos, mortalidadematerna e nascimento de crianças com baixo peso.
Assustado o suficiente? Ainda bem.
Pois que este mineralnão recebe a atenção devida por parte da população mundial e em especialpelo veganos e vegetarianos. Se bem que os resultados na população nãovegetariana não sejam um sucesso.
Um estudo portuguêsmuito recente (2009), concluiu que cerca de 46% das crianças portuguesasrevelam carência de iodo e que 11% apresenta valores muito baixos. Esteestudo envolveu também mulheres grávidas e os resultados sãoassustadores, uma vez que 80% das grávidas apresentaram valores abaixode desejável e 20% valores muito baixos. Estes valores podem condicionaralterações no desenvolvimento intelectual das crianças no futuro,problemas de aprendizagem, défice de atenção e quocientes deinteligência baixos. Alarmada com o resultado, a Sociedade Portuguesa deEndocrinologia apelou à Direção Geral da Saúde no sentido desensibilizar os obstetras para esta questão, estimulando a suplementaçãode iodo na gravidez.
A deficiência de iodo éuma questão para a qual os veganos devem estar atentos. Os estudos têmmostrado que os veganos europeus têm sintomas de disfunção da tiróide,principalmente nas regiões onde o sal não é iodado ou não é iodado emquantidades suficientes ou que não tomem suplementos. Mas neste ponto,também os que tomam suplementos em excesso estão a prejudicar-se, umavez que existem limites máximos de consumo para este mineral e o seuexcesso também provoca alterações da tiróide. É importante que asgrávidas veganas tenham particular atenção a este mineral e garantam oseu consumo. Se houver um esforço neste sentido veganos e vegetarianosestarão a salvo das consequências da deficiente ingestão destenutriente.

Fontes de Iodo

O iodo encontra-sedistribuído amplamente na natureza e está presente nas substânciasorgânicas e inorgânicas em pequenas quantidades. Normalmente a águareflete a quantidade de iodo nos solos e rochas e assim a quantidadeencontrada nas plantas comestíveis. Desta forma a quantidade de iododisponível nos alimentos varia de acordo com a riqueza do solo em cadaregião, pelo que as zonas perto do mar são mais ricas em iodo, quandocomparadas às regiões do interior do país. A concentração de iodo aconsiderar nos vegetais é variável e inconsistente. Fontes maisconsistentes de iodo são os peixes, mariscos, moluscos, algas, ovos elacticínios. Estes últimos, podem ser fontes de iodo, por via daalimentação dos animais e pela contaminação, através de soluções de iodoque servem para limpeza dos utensílios de recolha do leite e das tetasdas vacas.
Em alguns países a leiinstituiu que se adicionasse iodo ao sal para garantir um aportesuficiente do nutriente. Em Portugal essa exigência legal não existe, eapesar de existirem marcas que disponibilizam sal iodado, os valores sãomuitíssimo baixos. Para ter uma ideia, no Brasil, por exemplo aquantidade de iodo adicionado ao sal é de cerca 40mg (miligramas) /Kg desal. Em Portugal, verifiquei duas marcas que referem um valor de 0,5mg e0,7mg/Kg de sal. Isto significa que se consumirmos por dia cerca de 5g(1 colher de chá) deste sal nas confeções, podemos obter mais ou menos aquantidade de 2,5 microgramas de iodo. Repare que necessitamos de 100 a150 microgramas diários de iodo. Existe ainda em Portugal apossibilidade de consumirmos sal marinho tradicional português, com avantagem de este não usar aditivos químicos porque não é processado, masmesmo este sal, tem cerca de 0,8mg de iodo por Kg de sal, um poucomais, mas ainda assim em pouca quantidade.
É importante referiraqui, que não significa esta constatação que devemos consumir mais salpara aumentar o consumo de iodo, o sal continua a ser um elemento queconsumido em excesso traz graves danos à saúde. A questão será mais, jáque o consumimos, seria bom que obtivéssemos dele o maior benefício.
Para além do salmarinho, também as algas são uma fonte muito rica de iodo. Elas fornecemnão só iodo mas outros minerais, como cálcio, ferro, magnésio, e sãoricas em fibra, vitaminas C e E e têm poder antioxidante. Existe umagrande variedade de algas para consumo humano, as consideradas maisricas em iodo são a kombu e a nori (as usadas no sushi).
Existem no entantoreferências ao facto de algumas algas poderem possuir níveis excessivosde iodo, o que pode ser prejudicial para a tiróide, alterando também ofuncionamento da glândula, com consequências para a saúde.
Também no caso dasalgas os níveis de iodo variam de acordo com as espécies e a forma comoas algas são secas. Um estudo encontrou uma enorme gama de entre 2 a 817mcg de iodo por 100 gramas de algas (é importante saber que uma dose dealgas para consumo numa refeição, pode rondar cerca de 5 a 10g). O teorde iodo é reduzido quando as algas são secas ao sol, e em certascondições de humidade durante o armazenamento. Algumas algas de pratosasiáticos contêm um excesso de 1.100 mcg de iodo.
Existe também um estudoque refere que a alga hijiki contém uma quantidade significativa dearsénico, pelo que deve ser evitada, segundo a Agência Britânica deSegurança Alimentar. Deve ser tido em consideração que as algas tambémsão ricas em sal, pelo que modere a adição de sal na confeção quandointroduzir algas numa receita.
O que recomendo,portanto, é o consumo moderado de algas, podendo ingerir todas assemanas e até mais do que uma vez, mas tentando variar o tipo de algasque consumimos, uma vez que estas possuem teores muito variáveis deiodo. Se ingerirmos sempre um tipo de alga muito rica, como a kombu,corremos o risco do consumo de iodo ser excessivo. Se não está habituadoa consumir algas, deve incluí-las de forma gradativa e mais uma vez,variada. Vá experimentando diferentes formas de as introduzir nos pratosque confeciona e vá-se adaptando às características das variedades dealgas que existem.
 

Antagonistas do iodo

É importante referirque existem substâncias conhecidas como antagonistas do iodo oubociogénicas, que interferem na síntese de hormonas da tiróide, ou seja,fazem o papel contrário ao do iodo, e este facto é no mínimo tãoimportante como a deficiência de iodo.
Os alimentos ondepodemos encontrar essas substâncias são a soja, linhaça, vegetais cruscomo brócolos, couve-de-bruxelas, couve-flor, repolho, rabanete e nabo.Porém alguns destes compostos são inativados pela luz e calor, o quesignifica que cozinhando estes alimentos conseguimos diminuir ouinativar o seu efeito. No caso da soja, são as isoflavonas que parecemter papel antagonista do iodo, mas neste caso os estudos são aindacontroversos, pelo que se aconselha apenas a não exagerar no consumo desoja.

Valor de iodo para alguns alimentos:

85 grs de bacalhau = 99 mcg de iodo
1 gr de sal iodado = 77 mcg de iodo
1 chávena de leite de vaca = 56 mcg de iodo
1 ovo cozido = 29 mcg de iodo
½ lata de atum em óleo vegetal = 17 mcg de iodo Fonte: Linus Pauling Institute Micronutrient Research for Optimum Health

Outras fontes:
100g de agrião = 15 mcg
100g de aveia = 4 mcg
100g arroz = 3,6 mcg

Recomendações de consumo

Idade
DDR
Limite
0–6 meses
110 µg
7–12 meses
130 µg
1–3 anos
90 µg
200
4–8 anos
90 µg
300 µg
9–13 anos
120 µg
600 µg
14–18 anos
150 µg
900 µg
mais de 18 anos
150 µg
1100 µg
Gravidez
18 anos ou menos
220 µg
900 µg
mais de 18 anos
220 µg
1100 µg
Aleitamento
18 anos ou menos
290 µg
900 µg
mais de 18 anos
290 µg
1100 µg
Limite máximo adultos – 1100 µg
 

Conclusões

O Iodo é um mineralcuja necessidade é negligenciada ao ponto de 46% das nossas crianças e80% das nossas grávidas exibirem valores de iodo baixos. Este é umnutriente de extrema importância para o correto funcionamento datiróide, uma glândula que gere a produção de hormonas fundamentais aoequilíbrio do organismo e à manutenção de uma vida saudável. A suadeficiência acarreta consequências graves para o desenvolvimentointelectual das crianças, pode provocar atrasos mentais severos, atrasosno desenvolvimento, e para os adultos, situações como depressão,problemas de pele, queda de cabelo, infertilidade, etc, são algumas dasconsequências.
As principais fontesalimentares para obtenção deste mineral são especialmente produtosmarinhos, como peixes, mariscos, algas, e em alguma quantidade, leite,ovos e vegetais, dependendo do solo onde são cultivados. No caso dosvegetarianos e veganos, é importante que o consumo de algas passe a seruma prática comum, com os devidos cuidados para evitar excessos. Devemospreferir consumir sal marinho tradicional ou sal iodado, apesar dasquantidades de iodo serem baixas. Devemos ter o cuidado de confecionaros alimentos considerados antagonistas do iodo.
Mas para além destesfatores e julgo que de primordial importância, é a diversificaçãoalimentar, só assim, poderemos tentar obter iodo de diversos alimentos,uma vez que as suas concentrações são tão variáveis, mesmo entre o mesmoalimento, só assim não consumimos alimentos de forma excessiva e assimgarantimos o aporte de outros minerais e vitaminas também importantesnas reações metabólicas levadas a cabo pelas hormonas da tiróide.
Se eventualmente nãogosta de algas e entende ter uma alimentação pouco variada, pensar numsuplemento de iodo poderá ser uma solução a considerar.
Varie, coma bem e divirta-se com a alimentação que pratica, fazendo-a nutritiva, variada e saborosa.
Bom apetite! Coma bem, e de boa saúde!

Autoria:
Cláudia Maranhoto (dietista)
Fonte: http://www.centrovegetariano.org/Article-587-A%2Bimport%25E2ncia%2Bdo%2BIodo.html
http://solucaoperfeita.com/magnesio/
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Referências

Conteúdo encontrado em:

http://saudealternativaa.blogspot.com/2014/09/a-importancia-do-iodo.html
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Bócio

Doença

Bócio (ou papo ou papeira) é um aumento do volume da glândula tireoide e é causado pela falta de sal mineral e iodo no organismo. A existência de nódulos na tireoide também é considerada bócio.O aumento de glândulas pode ser difuso, envolvendo toda tiróide, ou nodular.1O bócio nodular pode ser uninodular ou multinodular, conforme o número de nódulos. Conforme a presença ou ausência de excesso...Mais